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Sizzla, vai uma Rizzla?

Sizzla

Nunca me considerei fundamentalista em relação a coisa nenhuma. Até perceber que o sou em relação à música. Ou a alguma música. A que tem origem na Jamaica, obviamente sempre o reggae e todos os seus numerosos parentes, constitui talvez o caso mais preocupante.

Não existem coisas muito mais patéticas do que um preto que não gosta de ser preto. Ou de um preto que gosta de ser um branco parecido com um preto. Até provas em contrário, um preto é um músico e um atleta em potência. E isso é invejável.

E isto vem a propósito do mais recente álbum do já pouco desconhecido Sizzla, o recém-publicado "Soul Deep". O gajo do fantástico cabelo aqui por cima transformou-se (aliás, veio piorando) num absoluto pão-sem-sal. A ideia de que daqui não vem nada de especial ao mundo já me tinha ocupado a cabeça num ido Festival de Paredes de Coura. Mas à luz deste disco Sizzla é, musicalmente, um jamaicano azeiteiro. Caetano Veloso talvez lhe chamasse "americanizado".

Há pelos menos três mensagens que Sizzla tem que assimilar sob pena de enlouquecer por completo:

1. Quem lhe chama rei, embaixador ou arquiduque de uma espécie de cruzamento entre o dancehall e o roots reggae já enlouqueceu. Convencer Sizzla desses factos é neste momento crime.

2. As guitarrinhas acústicas de boa parte de "Soul Deep" soam muito, muito, muito mal. Soam a uma abstrusa alatinização que assusta bastando imaginá-la.

3. O lovers rock, que Sizzla transforma em "Soul Deep" numa salada de baladas com fraco tempero, não deve ser confundido com nada isto.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

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